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sábado, 12 de dezembro de 2015

O que temos pra sempre é saudade

9/8/15 dia da viagem pra belém-pa
Não há se quer um dia que eu não sinta dor, não sinta tua falta. Toda nossa dedicação por você, nossa rotina foi mudada drasticamente, você estava incluso em todos nossos planos, e a convivência era a coisa mais linda cheia de amor, sorrisos e gargalhadas, recheadas com suas músicas infantis misturadas com outros ritmos mais adolescentes, já estava no começo da puberdade. Brincalhão, sorridente, comia bem e coisas saudáveis, nunca tomou refrigerante e comeu salgados e frituras, indo sempre ao médico, não porque estivesse doente, mas porque nós tínhamos um cuidado a mais já que não falava. 
Não aceito, não entendo porque tudo isso com meu filho, um menino amável, cheio de vontade de viver, feliz, não fazia mal a ninguém, não acredito que Deus seja tão cruel de mandar uma doença severa que não tinha nada a ver com deficiência, e ceifar uma vida em sua tão jovem idade. Explicações e consolos nada adianta. Alguns podem até pensar que nossa rotina continua de forma leve, mas não mesmo. Aquela paz, aquela alegria da casa foi embora, ficou um vazio sem tamanho. Ainda ouço pessoas com a inocente ou indecente ideia de tentar me convencer de que foi o melhor que aconteceu pra ele, ou ainda falar que terei outros filhos. Gente, pelo amor de Deus, isso não foi o melhor pra ele, ou você acha que doença e a morte são coisas boas pra alguém? Claro que não, se estavam nos planos não sabemos em totalidade, mas que aquilo tudo aconteceu, uma tragédia, uma fatalidade, ele não vivia de um jeito que provocasse tão aparecimento de uma doença tão grave, e não merecia passar por isso,. As vezes tenho impressão de que falam disso pra mim por ele ter vivido com deficiência, e tem gente que acha que é um fardo na vida da família, pelo contrário, quando se ama não existe sacrifício, tudo que promove o bem estar é válido, isso ainda foge da compreensão de algumas pessoas que não tiveram privilégio de sentir o que é o amor incondicional por alguém, independente de ter deficiência ou não. E quanto a questão de que vou ter outros filhos, o futuro a Deus pertence, não somos substituíveis, nascemos e somos o que somos e ninguém poderá ser igual a nós, porque somos únicos e diferentes, logo ninguém irá substituir meu filho, jamais.

Nada voltará a ser como antes, aquela alegria de viver e toda felicidade que vivemos juntos jamais viveremos com outra pessoa na mesma intensidade, em pensar que há meses atrás estavas do meu lado enquanto atualizada seu blog, e agora bem longe de nós, fisicamente, e presente espiritualmente, é doloroso, mas inevitável, aceitar nunca irei aceitar, conviver é consequência de tudo que houve, desse pesadelo que não saiu mais das nossas vidas. O pesadelo da ausência. Fotos, vídeos, áudios, brinquedos, roupas, suas coisas, seu quarto ficaram, e sua presença em essência ficaram, adoro te ver de novo, de sentir de novo em meus sonhos, não faz muito tempo que nós estávamos brincando juntos, rindo juntos, tirando fotos, fazendo vídeos, passeando pelo nosso jardim, dormindo juntos no mesmo quarto, mas em camas separadas porque você sempre foi acostumado assim e gostava do seu espaço pra se esparramar. Meus pais continuam assim como eu sobrevivendo em meus ao caos que ficou depois dessa tragédia na nossa família. Meu pai dedicou todos os dias criar em meios de proporcionar conforto em adaptações exclusivas, seja no carro adaptando banco pra ele ficar bem acessível e confortável, cadeira de balanço daquelas de macarrão com enchimentos pra não machucar e ficar balançando com ele na sala, adaptação para braço direito não ir para trás quando estava na cadeira de rodas, apoio de pés feito de material parecido com e.v.a grosso que permitia seus pés ficarem posicionados e poderia até ficar descalço sem machucar, várias adaptações projetadas pra suprir as necessidades particulares do meu filho. Falar dele é muito, não cabe num post, num blog, aqui ficaram alguns registros, confesso que não era assídua aqui, mas saibam que me preocupei mais em viver a vida real com ele do que a todo momento compartilhar, foi tão bom, essa felicidade de viver com ele nunca irá se repetir, eu sei. O que temos pra sempre é saudade.