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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Desafios em cadeira de rodas pela cidade

Nas ruas, não se vê com frequência, os cadeirantes passeando pela multidão por causa das dificuldades que enfrentam para simples tarefas do cotidiano. A falta de infraestrutura física nos passeios públicos, pouca acessibilidade em pontos comerciais e falta de transporte público acessíveis são uns dos muitos empecilhos que contribuem para agravar a mobilidade desta parte da população.

Há muitos anos a sociedade, em sua maioria, ignora o fato de que esta parte da população vive e possui as mesmas necessidades de qualquer cidadão, seja sair pra passear, levar seu filho na escola, ir ao supermercado, ir ao comércio comprar roupas ou sapatos, ir ao cinema, não importa o objetivo que a pessoa queira, pra se chegar ao destino o meio precisa estar adequado para todos, sem discriminação, sem distinção.  

As calçadas danificadas e sem reparos periódicos podem causar acidentes sérios em quem não tem limitação, alvará para uma pessoa com deficiência que além de ter que superar seus próprios limites necessita superar este tipo de transtorno, induzem ao cadeirante se arriscar por entre carros, bicicletas e motos em movimento para poder desviar das calçadas ruins e conseguir chegar ao seu destino. Ir à uma loja para fazer compras se torna algo cansativo, quando se depara com estantes muito próximas uma das outras deixando os corredores simplesmente mínimos para se passar com tranquilidade e sem atrapalhar o transito dentro da loja, sem que a cadeira de rodas seja vista como algo que atrapalha, tudo porque não existe como andar bem dentro de uma loja sem que esbarre em alguém. 

No consultório médico onde não se tem espaço que acomode cadeira de rodas e pessoas no mesmo ambiente, e ausência de elevadores que dificultam o trajeto do cadeirante até a sala do médico. Em outros locais a presença de uma rampa não é acessibilidade, é mais um desafio de pura adrenalina de tão elevada que é, na maioria dos casos é muito difícil um cadeira de rodas subir tais rampas sem que necessite da ajuda de alguém que o esteja acompanhando ou de um estranho solidário. 

Quando o cadeirante consegue encontrar uma rampa acessível vem outro problema, a quantidade escassa de rampas acessíveis próximas uma das outras, durante todo trajeto, que façam aumentar a mobilidade sem limitar sua rota, às vezes fica forçado a passar por locais não previstos para poder prosseguir seu destino. E ainda tem os ônibus, que além de não tem uma quantidade maior que esteja equipada com aparatos acessíveis, nos poucos que possuem isso alguns estão danificados ou funcionando de forma propensa a riscos de acidentes com cadeirante.

Não é nada fácil a mobilidade de um cadeirante nas muitas ruas das nossas cidades, portanto, a questão toda vai de encontro a necessidade desta parte da população por condições mínimas, que sejam atendidas pelas leis, que esta leis sejam cumpridas de fato, o respeito pela dignidade humana aclama por mudanças, para que haja efeito apela-se para a sensibilização da justiça, que ela forneça subsídios práticos e punitivos para fazer respeitar as leis que tratam dos assuntos de acessibilidade, não basta ter lei, é preciso que seja imposta, cumprida e fiscalizada pelos órgãos competentes, respeitada para se valer a pena e ainda acreditar que algo possa melhorar.